sexta-feira, 9 de setembro de 2011

brincadeira de roda


Minha cabeça não pára. Roda.
Gigante entorpecido de esperanças e sonhos.
Infeliz.
Infeliz como a criança que ganha um brinquedo,
Mas não sabe brincar
Como ter patins sem ter pés.
A brincadeira de roda que tropeça
Todos riem
A crueldade que machuca a criança indefesa e ingênua
Uma arma na mão, escondida no fundo de um guarda-roupa
O riso alheio que gira e gira sem deixar cair
O peso da face enrubescida que queima
A vida é justa
Cheia de pessoas perdidas e felizes
A bala no tambor
Tambor que rufa à espera do momento certo de partir
As crianças riem e gargalham
A garrafa vazia
O gargalo como ponte entre ébrio e a sombra que nubla
A cor vermelha do branco dos olhos
A luz que ofusca
O sol que insiste em nascer
Chega!
Chega perto de mim e me ajuda
Pensa
Pensa e os pensamentos randômicos
Inundam o corpo de uma vontade estranha e quente da cor vermelha
O céu pode esperar pra chover
A água que cai, bate na cabeça que é oca
Dentro o eco que ensurdece e alucina
Alucina
A lacuna deixada pelo riso sarcástico do indefeso menino
A ponte entre a vida e a poesia de um momento de piedade
A bala que voa e pousa leve sobre o corpo que fura
O chão que acode a queda e pára...
A vida que segue e se interrompe
A tristeza do riso que mata e maltrata
A dúvida é sempre certa
A igualdade é rasa
E rara
Mais ninguém quer transpor a ponte
O riso é só
O riso é sempre
É latente na cabeça do menino na roda
E anônimo
E foge
E brinca
E mata
E maltrata
E a dor é só minha.

4 comentários:

disse...

Belo texto!

Marcelo Zorzeto disse...

tksssss...volte sempre!!!

Fabio Lombardi disse...

A dor é minha também. A dor de fugir sempre da roda de corações partidos. Da gigante infâmia de desrespeito. E de tristeza. A dor também é minha. E gira gigante na roda do mundo.

Marcelo Zorzeto disse...

A dor me fortalece, a alegria me distrai, e distraido perco o foco e me perco às vezes. Obrigado pelo seu sempre poema em meus poemas...