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domingo, 24 de abril de 2011

abril despedaçado

À mesa exposta, a fratura
          as dores postas da fartura
                   atira a gosto o menino doente (escola)
tira gosto doentio e covarde


tiro
        Agosto
                      entes em alarde


amigos tão verdadeiros quanto deus

lágrimas que flutuam no tempo
               sem tempo pra cair no espaço
sem espaço para molhar os olhos
              que agora fechados não dizem mais
nem menos
terra
             sal
                        e cinzas
                                                             cabelo e osso
                              calabouço final
cala-se a boca afinal

marcelozorzeto

quinta-feira, 23 de abril de 2009

às vezes longe às vezes perto
o inverso do avesso, meu devasso começo
coração regresso, cansado, calado
vivo e batendo, batendo, batendo

não sei falar difícil, pode ser que seja vício
burrice, ou qualquer coisa assim
todo verbo, ir ou vir
não me levam a lugar nenhum
chegar e partir, já não me fazem mais chorar

hoje e mais além, sei estar ao sol,
ao sul de algum lugar abaixo do equador
barato infinito, raro e claro
se a verdade mente, não minto pra ela
muito menos pra mim mesmo

o céu de cada dia que nos é dado
o pão de cada dia que nos é negado
rasgo, rogo, rego meu jardim em minha cama
por debaixo dos lençóis uma flor descoordenada

gotas de orvalho descem pelas pétalas
e um rio invade meu quarto na maré cheia
céu cinzento em minha boca
bala de caramelo grudada

 marcelozorzeto