segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


sou como um rio, um rio de planície cercado de cidade
corro mansamente, marginal, sem tietes
todo sangue despejado em mim _ às vezes límpido, raro.
raso e profundo, belo e sujo _ opaco, reflito o concreto no meu leito, no meu peito
cercado de gente que corre, de gente que passa com seus olhos preocupados
de gente que nunca enxerga.

marcelozorzeto

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

um pica-pau

há sexo e morte em cada olhar perdido pela cidade. 
uma criança no parque. ela brinca. @#$$$$ o parque é cercado por grades. 
um mundo todo de fora só sabe passar
a criança nem pensa, a criança sente. 
o sentimento dela é o próprio mundo. 
não há morte no coração da criança.
o parque é frio e mórbido. as grades, a criança e o parque passam por mim. eu vou ficando sempre para trás. um pica-pau bica a árvore.


marcelozorzeto

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

amor é simples

se não for simples, não é amor! 
pode ser ilha de Caras, 
cobertura Gourmet, 
torta Holandesa, 
arte blazê... se não for simples, não é amor... não mesmo! 
o amor descomplica... complicou?
não é amor!


marcelozorzeto

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

entender o amor

tal qual o amor do mar pela areia da praia
pelo teu pranto, pelo teu peito
um céu arado de estrelas ruidosas te sorri
um corpo menino abraça me por dentro
sou criança em teus olhares e choro de mim pra fora o homem que nunca quis ser
um dia vou descobrir a utilidade do amor e a quem ele serve
daí então vou doá-lo ao mar que já entende do amor e permanece em silêncio.

marcelozorzeto

ver o coração

é através dos olhos que eu vejo o coração, num pulsar de leve um olhar de soslaio me distrai, pulsando sismado entre um sim e um não. se há o ódio, olhos de morte que penetram a luz na escuridão. se apaixonados, tocam as nuvens antes do toque do avião, entristecidos, um cantar de olhares se transborda, quando amor, o inferno inteiro em comunhão.

marcelozorzeto

sábado, 28 de janeiro de 2017

ao enfeitar uma árvore perdemos quase toda sua beleza...
a gente gosta muito de enfeiar as coisas do mundo.

marcelozorzeto
Qual a função da tarde senão cair e se perder na noite...

marcelozorzeto

sábado, 14 de janeiro de 2017

sentimento de supermercado

às vezes eu penso os sentimentos como se eles ficassem na prateleira de um supermercado; saudade, por exemplo: é aquele sentimento que você só leva pra casa porque o preço está ótimo, mas desatento não observa a data de validade e ao chegar em casa você descobre que está vencido. e não pode devolver por que era promoção e o supermercado fica muito longe...
marcelozorzeto

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

o poeta

não tento inventar mundos com os poemas, apenas tento traduzi-los, com as palavras, para o meu próprio entendimento. um poeta não é um caluniador delirante, ele é sim um cavaleiro dessa realidade antimórbida que se esconde!

marcelozorzeto

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

água e vento

a quem as águas lavam quando caem? o que o vento sopra quando chega o inverno?
ouço um homem leve que chega junto a escura madrugada, chove e venta forte no corpo daquele homem, mas seu assovio traz consigo uma alegre canção de anjos.
a senhora madrugada disfarça sua tristeza, enquanto a ducha bem quente derrama seu bálsamo sobre aquele homem - parece que o tempo é seu maior aliado - parece que ele não dá a mínima pro tempo...
agora ele só pensa em viver o agora
em sentir o amor que neste momento lava sua alma...
água quente que jorra constante como deve ser a vida.

marcelozorzeto
há um lugar dentro de nós que peca por permanecer escondido.

marcelozorzeto

sem mais

Sob os pés tão pouco chão
não há mais pedras no caminho
não há caminho
me sinto bem sozinho. imensidão

Sob o céu tão pouco pão
não há mais asas
não há mais voo
recomeço. paulatina escuridão

Sobre mim, muito pouco são
não há mais casca
tampouco O afeto me basta
vulcão adormecido. deleitosa erupção.

marcelozorzeto

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

sonhos e os poemas

escrevo os meus poemas no intervalo entre sonhos
sigo a minha vida num devaneio sem exigir mais compreensão
vivo as minhas preces feitas de poréns que vão muito além de mim
sinto fome e sede do pão e do vinho, da santa mesa posta
e dos milagres que me redimiam os pecados da carne

nesse altar de almas e memórias infinitas
aguardo a exato momento para repartir a vida, o corpo e o sangue em comunhão
é certo que espantarei os seres mais incautos.

marcelozorzeto

a linha tênue do tempo

é o tempo que arrebenta a linha tênue e tensa entre a morte e a vida;
no altar dos deuses tortos não há anjos nem demônios, e não hei de dizer uma só palavra com o intuito de alcançar o céu, apenas me calarei. será um salve-se quem puder, eu sei. e vou continuar cantando pra partilhar o meu canto com aqueles que não precisam de mim.

marcelozorzeto

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

são paulo e seus rios

São Paulo, a cidade que sepulta seus rios
todos vivos, todos mortos
rios de asfalto quente nas várzeas-avenidas
pó, fuligem e escuridão das águas nas marginais
margeia o progresso a ganância na regressa cidade
a metrópole que se atira do alto de um arranha-céu sem fim.

marcelozorzeto

o exaustivo silêncio

o exaustivo silêncio
das horas que amargam o dias
minuto a minuto por agora, à conta-gotas
adiante aos trancos
solitária solidão dos trópicos
diante dos barrancos do meu viver...

marcelozorzeto

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

coração verborrágico

o meu olhar-palavra
é o verbo no infinito do presente
ansiosas esferas executando a frase em silêncio 
silenciosos lábios, língua em repouso
minha iris é um arco que me lança ao mar.
das batidas do meu coração verborrágico
uma oração em meus olhos se espanta
exclamação de retina
naufrágio em versos e solidão.


marcelozorzeto

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017