é uma sensação cinza essa
de amizade incompleta
pela metade
de abraço frouxo
calça de palhaço envelhecida
de saudade histérica
saudade-boca-pra-fora
que não se consome
acho que deve ser o excesso de janela que causa isso
tem muito cimento no meu sangue
estou ficando impermeável
se chover
transbordo
e lá vem a enchente...
marcelozorzeto
Santificados sejam nossos ofensores, assim como nós magoamos a quem nos tem perdoado.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
grama
sou como um burro no pasto
preciso de grama
preciso de lastro
pés fincados na terra
sombra de árvore
longe da guerra
quero paz.
marcelozorzeto
preciso de grama
preciso de lastro
pés fincados na terra
sombra de árvore
longe da guerra
quero paz.
marcelozorzeto
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
poema marginal
ontem a tarde durante a tempestade de verão na capital
eu resvalei num poema que flutuava
na enchente da Marginal
boiávamos os dois, tranquilos, mas perplexos,
na correnteza de águas turvas, que girava numa espiral
eu e o poema, o poema e eu...
olhávamos o céu
num momento sem igual...
marcelozorzeto
eu resvalei num poema que flutuava
na enchente da Marginal
boiávamos os dois, tranquilos, mas perplexos,
na correnteza de águas turvas, que girava numa espiral
eu e o poema, o poema e eu...
olhávamos o céu
num momento sem igual...
marcelozorzeto
simples
o salto da criança
que dança no sofá da sala
(a cor do sofá não sei)
anjo sem asas
a casa é só alegria
o tempo pára pra ver
a vida observa o tempo
tem sorriso
liberdade
tem amor
a criança é a poesia.
marcelozorzeto
que dança no sofá da sala
(a cor do sofá não sei)
anjo sem asas
a casa é só alegria
o tempo pára pra ver
a vida observa o tempo
tem sorriso
liberdade
tem amor
a criança é a poesia.
marcelozorzeto
domingo, 31 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
e se quiséssemos tudo à nossa maneira? do nosso jeito?
e queremos? e se são mais de sete bilhões de maneiras e caprichos?
diferentes entre si.
mas sempre a ordem se faz de cima pra baixo. vozes são caladas em detrimento do caos das vaidades estéreis. estéricas. não calar-se é cultivar um campo de girassóis. dar as costas ao vento e sempre olhar o único astro que me guia. não gritar de volta. deus Rá.
e queremos? e se são mais de sete bilhões de maneiras e caprichos?
diferentes entre si.
mas sempre a ordem se faz de cima pra baixo. vozes são caladas em detrimento do caos das vaidades estéreis. estéricas. não calar-se é cultivar um campo de girassóis. dar as costas ao vento e sempre olhar o único astro que me guia. não gritar de volta. deus Rá.
marcelozorzeto
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
o futuro
primeiro a gente espera
então ele chega
e logo já passa
o futuro
é mesmo bem sem graça
marcelozorzeto
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
honestidade
ser honesto consigo mesmo implica várias variáveis, quase sempre aquém da nossa capacidade de avaliar os fatos, pois a gente vive se enganando por questões que muitas vezes estão muito mais profundas do que a nossa percepção da verdade pode realmente enxergar. é um auto conhecer-se continuo e corajoso.
agora ser honesto com o outro envolve moral, ética e uma bela dose de vergonha na cara, tem a ver também com enganar-se, mas num nível canalha, é o mal caratismo adquirido e isso é inadmissível pra mim.
marcelozorzeto
agora ser honesto com o outro envolve moral, ética e uma bela dose de vergonha na cara, tem a ver também com enganar-se, mas num nível canalha, é o mal caratismo adquirido e isso é inadmissível pra mim.
marcelozorzeto
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
são paulo
são paulo é a renascidade do construcimento
um concretário de confinitudes
urbana cripta
enigmagnitude
cinzentação e esgotamento
nenhum rio e dois céus.
marcelozorzeto
um concretário de confinitudes
urbana cripta
enigmagnitude
cinzentação e esgotamento
nenhum rio e dois céus.
marcelozorzeto
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
está lá um poema parado na esquina
esta lá um poema parado na esquina, é madrugada, os carros passam, muitos carros, todos olham, ninguém cobiça, ninguém pergunta quanto é. todos tem medo daquele poema, ninguém o entende, então o julgam - alguém atira uma pedra, a pedra atinge o poema em cheio, o poema agora sangra na testa, o poema continua parado na esquina, o poema agora sangra e atesta, o poema agora sangra, o poema tem sangue - o poema também tem testa - o poema chora - em silêncio. o poema espera alguém. um (a) poeta talvez. a poeta e o poema... o poeta que não vem. não virá. a chuva é forte agora. o poema agoniza no agora do meio fio. cai no chão da calçada - chuva e sangue no agora - o poema não resiste. o poema vira poesia. não há Céu para poemas.
marcelozorzeto
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
rebelião
um dia todas as palavras vão se rebelar
greves de crase
crises de acentos graves
haverá motins de frases
verbos amotinados nos conjugando
ao invés da gente num blá blá blá sem coração
greves de crase
crises de acentos graves
haverá motins de frases
verbos amotinados nos conjugando
ao invés da gente num blá blá blá sem coração
sujeitos não se sujeitando
predicados sem a devida liberdade
se libertando
a palavra passarinho no céu feito nuvem
e o verbo céu, num rompante de alegria,
transbordará em asas afora, noite e dia
predicados sem a devida liberdade
se libertando
a palavra passarinho no céu feito nuvem
e o verbo céu, num rompante de alegria,
transbordará em asas afora, noite e dia
virgular-se poderá ser uma opção
e ao final do ponto
exclamado ou interrogativo
o espanto do amor
a declarar uma verdadeira e nova intenção
e ao final do ponto
exclamado ou interrogativo
o espanto do amor
a declarar uma verdadeira e nova intenção
palavras perdidas num vocabulário imenso
um dicionário inteiro da solidão
hão de lagrimar em cima do papel
que molhado ao final, não será um papelão
um dicionário inteiro da solidão
hão de lagrimar em cima do papel
que molhado ao final, não será um papelão
sonhar não será mais verbo
será muito mais que isso
uma renovada dimensão
será muito mais que isso
uma renovada dimensão
e o viver, será só para as palavras
pois a gente dessa terra
há de morrer da fome da ilusão.
pois a gente dessa terra
há de morrer da fome da ilusão.
marcelozorzeto
este poema É sobre a dor
mas a palavra Dor não sente
nada.
as palavras apenas MENTEM
e este poema queria muito
Chorar pra valer
e 1 coração em tempos de crise hídrica
leva um tempo pra chover de repente
santa Maria dos poetas perdidos
traZ de volta minha loucura
,que anda de verdade ausente
pois todo poeta é um louco que teima
em querer transformar pedra em gente.
marcelozorzeto
mas a palavra Dor não sente
nada.
as palavras apenas MENTEM
e este poema queria muito
Chorar pra valer
e 1 coração em tempos de crise hídrica
leva um tempo pra chover de repente
santa Maria dos poetas perdidos
traZ de volta minha loucura
,que anda de verdade ausente
pois todo poeta é um louco que teima
em querer transformar pedra em gente.
marcelozorzeto
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
recantos
o pescador, na maré alta, se exime ao mar
troca a cansada embarcação de madeira
pelo infinito e sereno chão da areia da praia
e reza pra Iemanjá pelo sono tranquilo dos peixes
porém a onda que se quebra na pedra
quebra também o sono tranquilo do pescador
mas a fé e o sonhos são inabaláveis
quando se sabe que toda água do mar
vem das lágrimas de deus
marcelozorzeto
troca a cansada embarcação de madeira
pelo infinito e sereno chão da areia da praia
e reza pra Iemanjá pelo sono tranquilo dos peixes
porém a onda que se quebra na pedra
quebra também o sono tranquilo do pescador
mas a fé e o sonhos são inabaláveis
quando se sabe que toda água do mar
vem das lágrimas de deus
marcelozorzeto
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
sem nome
todo poeta anda pelo meio-fio de uma navalha cortante, com o sol efervescente da tarde, pulverizando seus quase sonhos. teima em enxergar um futuro no horizonte que sempre tende a se acabar em pó. levita as fagulhas, voa com anjos de barro, flutua em nuvens de ferro e chumbo. se banha na chuva da morte, no ácido na chuva, vaporiza seu sangue, alquimia do meu sangue... e no paraíso, com o chão em brasa, se arrisca sempre a andar com os pés descalços.
marcelozorzeto
marcelozorzeto
o mundo anda
anda o mundo tão arbitrário
tão sanitário
tão solidão
é mesmo sem sentido
e caótico o mundo-cão
bate forte o meu desejo
e descompassado o coração
anda o mundo tão ao contrário
tão salafrário
tão aflição
no amor, estagiários
sem saber da oração
a metade do rosário
ou um verso da canção.
tão sanitário
tão solidão
é mesmo sem sentido
e caótico o mundo-cão
bate forte o meu desejo
e descompassado o coração
anda o mundo tão ao contrário
tão salafrário
tão aflição
no amor, estagiários
sem saber da oração
a metade do rosário
ou um verso da canção.
marcelozorzeto
sábado, 31 de outubro de 2015
pergunta
quem você quer impressionar com sua tentativa obsessiva de alcançar a virtude? o mundo? a você mesmo? os dois? o ego? qual a mensagem que você quer passar com a construção de sua "OBRA"? o que você quer provar com essa insistência doentia de se achar importante? o que é exatamente essa busca pelas respostas que você já sabe? quer reconhecimento? fama? dinheiro? quer aparecer na TV? quer ser parado na rua e tirar "selfies" com seus "FÃS"? você quer mesmo ter "FÃS"? e dar autógrafos? é ambição? ou ganância? você se acha especial? com um dom divino? se acha maior do que todos? acha que o que você faz é muito importante? mesmo? você só elogia os mais bem sucedidos? porque? por interesse? eles são talentosos de verdade? então o que é talento? quer uma carona pra alcançar um lugar ao sol? quer privilégios que você ainda não tem? quer levar tapinhas nas costas? quer ouvir elogios pra inflar seu ego? mesmo sabendo que é tudo mentira? tem certeza? está preparado pra ouvir que você não nasceu pra isso? está? mesmo que tenha? em quem você vai acreditar depois? em quem?
marcelozorzeto
marcelozorzeto
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
da série: meus possíveis epitáfios #171
fui um homem-precário, desafinei feio no tempo, semitonei em todos os meus sonhos, todos sem nenhuma expressão. errei a letra daquela canção, de amor, ridícula, mas que eu amava muito. fui um otário. fui um homem-conflito, deixei queimar o arroz das boas intenções e não me encaixei nos detalhes, não. e no genérico fui bem mal visto também. inventei frases, desejos e medos. pior, desejei os medos. preconizei o meu fracasso que já era anunciado. fui um aflito. fui um homem-retalho. patinei no meu caráter. escorreguei no meu humor. abusei da piada pronta. madruguei no feriado. insisti no trocadilho. fui um espantalho. fui um homem-pomba. me chutaram na calçada. e sempre odiei milho de pipoca. caguei em muitas cabeças. caguei em cabeças demais meu deus. fui uma sombra e tudo isso me custou caro. me custou saliva, muita saliva, meu caro. fui um homem-cuspe e me babei todo na vida.
marcelozorzeto
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