segunda-feira, 21 de novembro de 2016

a liberdade dos passarinhos

a gente, enquanto sociedade vive aprisionado. são celas em que nos colocam e a gente nem percebe o encarceramento. pro amor de fato acontecer, é preciso liberdade. mas a liberdade é a tomada de consciência de que se está preso, pois todo passarinho que é criado em gaiola, acredita de fato que voar é uma doença. e a gaiola também não tem culpa, pois a ela só lhe foi ensinado o aprisionamento.

marcelozorzeto

domingo, 20 de novembro de 2016

o tempo

meu corpo é o tempo que se deteriora em mim. a cronologia de uma vida datada. e o amor que acho que sinto pelas pessoas e pelas horas é apenas uma das formas de se estender na eternidade.

marcelozorzeto

sábado, 19 de novembro de 2016

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

simples

quais são as vontades de se ter virtudes?
quais são as vertigens de ser vantagens?
se você pensa em pular, pula... vai, não faz cena!
o mundo não é fim, é meio! e o amor é bem mais simples que fazer poema...
e eu não sei nada dos três - do mundo, do amor e de poemas.
e é bem simples não saber, o bonito é sempre simples.
sempre.

marcelozorzeto

sábado, 12 de novembro de 2016

amanhecer

Hoje fui eu que amanheci o dia. Excesso de zelo com a lua eu acho, que agora dorme numa caixa de sapato.

marcelozorzeto

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

dias de febre

não são dias fáceis esses de febre intermitente. a cabeça pesa. o corpo enxarca. o ar viciado do apartamento me causa uma abrupta vontade de querer apenas repousar. o corpo quer paz e descanso da dor. é madrugada novamente. um sábia me desafia e invariavelmente me alegra. estou sendo muito bem cuidado eu sei. anjos existem.

marcelozorzeto

terça-feira, 8 de novembro de 2016

versinho da madrugada

não se comove um coração de pedra
sem antes ser água corrente
o amor que passa pelas artérias
é sem dúvida, o rio mais eloquente,
derruba o concreto, cava fundo na terra
faz germinar qualquer semente.
marcelozorzeto

sábado, 5 de novembro de 2016

soneto

repousa o orvalho por sobre os jardins,
sereno, enquanto ainda dorme o dia.
de folha em folha, acordam os jasmins,
suas pétalas, suas flores, melodia.

devagar a luz do sol toma as rédeas,
iluminando com cores, os campos.
o tempo e a vida pairam entre orquídeas,
ao som dos passarinhos, pirilampos.

passa o dia e a tarde chegando vem
e traz do infinito o escuro no céu.
o brilho das estrelas ilumina

a noite, com seu vaidoso véu.
madrugando a beleza na retina
jaz a vida no incerto do além.

marcelozorzeto

domingo, 30 de outubro de 2016

enxergar o óbvio

quando você estiver em qualquer lugar, tente enxergar o que não está lá, pois enxergar o que está é muito óbvio.
marcelozorzeto

sábado, 15 de outubro de 2016

empatia

Empatia é abraçar quem nos odeia, daí sim começa o papo sobre o que é amor. O resto é conveniência e comodidade.

marcelozorzeto

espanar

sei que tem gente que nunca limpa a poeira que fica por cima dos móveis, e respeito isso. é uma espécie de necessidade de se criar uma cola feita de tempo, que fique aparente aos olhos, que nos grude ao passado. uma evidência física de vida. o que a maior parte não tem consciência é que muito desse pó, somos nós mesmos. e às vezes precisamos nos espanar.

marcelozorzeto

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

insônia

um poema pra mim é como a noite
só enxerga quem não dorme
há sempre um sol na minha insÔnia
gosto muito de tons menores e sonhos de creme.

marcelozorzeto

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

idades

sou caule e sou fruto, sou folha e também raiz. ao chegar o outono, uma parte de mim despenca suave como a morte tem que ser; mas é tempo de flores e eu as entrego à primavera como promessa de um breve renascimento. brinco, sou galhos entre os ventos e germino discreto entre o orvalho fresco de cada manhã. passo entre estações e trago guardado comigo, ainda entre dentes e dedos, toda terra que um dia à luz me trouxe. sou deus-mãe do que sou e sei, e guardião dessa verdade insana que é minha própria finitude. por isso tenho aprendido a prezar o tempo. respeito o passado do tempo. na floresta dos meus dias, chove torrencialmente. e as nuvens são como os olhos, que transbordam só pelo prazer de molhar o chão e assistir à semente se tornar vida.

marcelozorzeto

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

inútil sutura

um monumento em erupção
num momento de ruptura
assim que explode o coração
é mais que inútil a sutura.

marcelozorzeto

F

fartura
fatura
fratura

marcelozorzeto
Tudo que sei é que meu canto é bastante impreciso e muitas vezes não diz o que acho que penso, então me afundo em frases de areia movediça. Caótico.
Nasci pra ser santo de casa, eu sei. Sou o filho pródigo que não vai nunca voltar pra casa. Quebrando a profecia. Aí, quando eu menos espero, numa dessas esquinas, sou surpreendido por um afago verdadeiro e isso me traz de volta pra terra.
Muitas vezes o tiro que te pega de raspão, é mesmo que acerta em cheio quem passava atrás. E de quem é a sorte afinal? Então alguém te abraça, sorri e te pede pra cantar. Esse alguém apenas finge te ouvir. Apenas finge, pois sabe que eu desafino.

marcelozorzeto

poemas e lágrimas

O meu barco num mar em desalinho com o tempo. Mar que sempre me pede pra ficar. Levantar âncora, o relógio mostra por onde a saudade navega, e pq nunca volta ao mesmo porto. Adeus é pingo d'agua nos olhos que ficam ou se vão por aí. Lágrimas são reticências e cada semblante um poema já escrito...

marcelozorzeto

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

sobre erros e imperfeições

pra que algo fique de verdade, permaneça como esse quase-eterno ser que quase sempre queremos ser, deve-se partir muito antes do término, não dar tempo de se tornar perfeito. pasteu- rizado. higiênico. patriota. para ser perfeito, é necessário tomar a morte como metáfora... hoje vi um passarinho morto debaixo de uma árvore, ele dormia tão tranquilo, como se fosse eu na hora da raiva.


marcelozorzeto

domingo, 4 de setembro de 2016

infinitos

tudo que sei é que há dois infinitos que nos cercam, um antes e um depois, e no meio de tudo isso tem um troço chamado vida que é foda em todos os sentidos imagináveis.

marcelozorzeto