primeiro a gente espera
então ele chega
e logo já passa
o futuro
é mesmo bem sem graça
marcelozorzeto
Santificados sejam nossos ofensores, assim como nós magoamos a quem nos tem perdoado.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
honestidade
ser honesto consigo mesmo implica várias variáveis, quase sempre aquém da nossa capacidade de avaliar os fatos, pois a gente vive se enganando por questões que muitas vezes estão muito mais profundas do que a nossa percepção da verdade pode realmente enxergar. é um auto conhecer-se continuo e corajoso.
agora ser honesto com o outro envolve moral, ética e uma bela dose de vergonha na cara, tem a ver também com enganar-se, mas num nível canalha, é o mal caratismo adquirido e isso é inadmissível pra mim.
marcelozorzeto
agora ser honesto com o outro envolve moral, ética e uma bela dose de vergonha na cara, tem a ver também com enganar-se, mas num nível canalha, é o mal caratismo adquirido e isso é inadmissível pra mim.
marcelozorzeto
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
são paulo
são paulo é a renascidade do construcimento
um concretário de confinitudes
urbana cripta
enigmagnitude
cinzentação e esgotamento
nenhum rio e dois céus.
marcelozorzeto
um concretário de confinitudes
urbana cripta
enigmagnitude
cinzentação e esgotamento
nenhum rio e dois céus.
marcelozorzeto
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
está lá um poema parado na esquina
esta lá um poema parado na esquina, é madrugada, os carros passam, muitos carros, todos olham, ninguém cobiça, ninguém pergunta quanto é. todos tem medo daquele poema, ninguém o entende, então o julgam - alguém atira uma pedra, a pedra atinge o poema em cheio, o poema agora sangra na testa, o poema continua parado na esquina, o poema agora sangra e atesta, o poema agora sangra, o poema tem sangue - o poema também tem testa - o poema chora - em silêncio. o poema espera alguém. um (a) poeta talvez. a poeta e o poema... o poeta que não vem. não virá. a chuva é forte agora. o poema agoniza no agora do meio fio. cai no chão da calçada - chuva e sangue no agora - o poema não resiste. o poema vira poesia. não há Céu para poemas.
marcelozorzeto
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
rebelião
um dia todas as palavras vão se rebelar
greves de crase
crises de acentos graves
haverá motins de frases
verbos amotinados nos conjugando
ao invés da gente num blá blá blá sem coração
greves de crase
crises de acentos graves
haverá motins de frases
verbos amotinados nos conjugando
ao invés da gente num blá blá blá sem coração
sujeitos não se sujeitando
predicados sem a devida liberdade
se libertando
a palavra passarinho no céu feito nuvem
e o verbo céu, num rompante de alegria,
transbordará em asas afora, noite e dia
predicados sem a devida liberdade
se libertando
a palavra passarinho no céu feito nuvem
e o verbo céu, num rompante de alegria,
transbordará em asas afora, noite e dia
virgular-se poderá ser uma opção
e ao final do ponto
exclamado ou interrogativo
o espanto do amor
a declarar uma verdadeira e nova intenção
e ao final do ponto
exclamado ou interrogativo
o espanto do amor
a declarar uma verdadeira e nova intenção
palavras perdidas num vocabulário imenso
um dicionário inteiro da solidão
hão de lagrimar em cima do papel
que molhado ao final, não será um papelão
um dicionário inteiro da solidão
hão de lagrimar em cima do papel
que molhado ao final, não será um papelão
sonhar não será mais verbo
será muito mais que isso
uma renovada dimensão
será muito mais que isso
uma renovada dimensão
e o viver, será só para as palavras
pois a gente dessa terra
há de morrer da fome da ilusão.
pois a gente dessa terra
há de morrer da fome da ilusão.
marcelozorzeto
este poema É sobre a dor
mas a palavra Dor não sente
nada.
as palavras apenas MENTEM
e este poema queria muito
Chorar pra valer
e 1 coração em tempos de crise hídrica
leva um tempo pra chover de repente
santa Maria dos poetas perdidos
traZ de volta minha loucura
,que anda de verdade ausente
pois todo poeta é um louco que teima
em querer transformar pedra em gente.
marcelozorzeto
mas a palavra Dor não sente
nada.
as palavras apenas MENTEM
e este poema queria muito
Chorar pra valer
e 1 coração em tempos de crise hídrica
leva um tempo pra chover de repente
santa Maria dos poetas perdidos
traZ de volta minha loucura
,que anda de verdade ausente
pois todo poeta é um louco que teima
em querer transformar pedra em gente.
marcelozorzeto
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
recantos
o pescador, na maré alta, se exime ao mar
troca a cansada embarcação de madeira
pelo infinito e sereno chão da areia da praia
e reza pra Iemanjá pelo sono tranquilo dos peixes
porém a onda que se quebra na pedra
quebra também o sono tranquilo do pescador
mas a fé e o sonhos são inabaláveis
quando se sabe que toda água do mar
vem das lágrimas de deus
marcelozorzeto
troca a cansada embarcação de madeira
pelo infinito e sereno chão da areia da praia
e reza pra Iemanjá pelo sono tranquilo dos peixes
porém a onda que se quebra na pedra
quebra também o sono tranquilo do pescador
mas a fé e o sonhos são inabaláveis
quando se sabe que toda água do mar
vem das lágrimas de deus
marcelozorzeto
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
sem nome
todo poeta anda pelo meio-fio de uma navalha cortante, com o sol efervescente da tarde, pulverizando seus quase sonhos. teima em enxergar um futuro no horizonte que sempre tende a se acabar em pó. levita as fagulhas, voa com anjos de barro, flutua em nuvens de ferro e chumbo. se banha na chuva da morte, no ácido na chuva, vaporiza seu sangue, alquimia do meu sangue... e no paraíso, com o chão em brasa, se arrisca sempre a andar com os pés descalços.
marcelozorzeto
marcelozorzeto
o mundo anda
anda o mundo tão arbitrário
tão sanitário
tão solidão
é mesmo sem sentido
e caótico o mundo-cão
bate forte o meu desejo
e descompassado o coração
anda o mundo tão ao contrário
tão salafrário
tão aflição
no amor, estagiários
sem saber da oração
a metade do rosário
ou um verso da canção.
tão sanitário
tão solidão
é mesmo sem sentido
e caótico o mundo-cão
bate forte o meu desejo
e descompassado o coração
anda o mundo tão ao contrário
tão salafrário
tão aflição
no amor, estagiários
sem saber da oração
a metade do rosário
ou um verso da canção.
marcelozorzeto
sábado, 31 de outubro de 2015
pergunta
quem você quer impressionar com sua tentativa obsessiva de alcançar a virtude? o mundo? a você mesmo? os dois? o ego? qual a mensagem que você quer passar com a construção de sua "OBRA"? o que você quer provar com essa insistência doentia de se achar importante? o que é exatamente essa busca pelas respostas que você já sabe? quer reconhecimento? fama? dinheiro? quer aparecer na TV? quer ser parado na rua e tirar "selfies" com seus "FÃS"? você quer mesmo ter "FÃS"? e dar autógrafos? é ambição? ou ganância? você se acha especial? com um dom divino? se acha maior do que todos? acha que o que você faz é muito importante? mesmo? você só elogia os mais bem sucedidos? porque? por interesse? eles são talentosos de verdade? então o que é talento? quer uma carona pra alcançar um lugar ao sol? quer privilégios que você ainda não tem? quer levar tapinhas nas costas? quer ouvir elogios pra inflar seu ego? mesmo sabendo que é tudo mentira? tem certeza? está preparado pra ouvir que você não nasceu pra isso? está? mesmo que tenha? em quem você vai acreditar depois? em quem?
marcelozorzeto
marcelozorzeto
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
da série: meus possíveis epitáfios #171
fui um homem-precário, desafinei feio no tempo, semitonei em todos os meus sonhos, todos sem nenhuma expressão. errei a letra daquela canção, de amor, ridícula, mas que eu amava muito. fui um otário. fui um homem-conflito, deixei queimar o arroz das boas intenções e não me encaixei nos detalhes, não. e no genérico fui bem mal visto também. inventei frases, desejos e medos. pior, desejei os medos. preconizei o meu fracasso que já era anunciado. fui um aflito. fui um homem-retalho. patinei no meu caráter. escorreguei no meu humor. abusei da piada pronta. madruguei no feriado. insisti no trocadilho. fui um espantalho. fui um homem-pomba. me chutaram na calçada. e sempre odiei milho de pipoca. caguei em muitas cabeças. caguei em cabeças demais meu deus. fui uma sombra e tudo isso me custou caro. me custou saliva, muita saliva, meu caro. fui um homem-cuspe e me babei todo na vida.
marcelozorzeto
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
não conto com fadas
No sábado de manhã, ele passava de carro pela rua dela. No toca-fitas um Odair José bem alto, quase arrebentado o alto-falante do seu Corcel II 84. Ela na calçada, indignada com o gosto que ela considera brega do rapaz do Corcel II 84 grita: CAFONA
Ele para, baixa o vidro à manivela e despretensioso pergunta: PRA ONDE?
Pronto! Um breve silêncio e todo um mundo de Odair José, Amado Batista e Reginaldo Rossi pela vida a frente a dois. discos na estante e uma vitrola que não parou mais de tocar. Casa alugada, filhos e e muito amor pra dar.
marcelozorzeto
terça-feira, 20 de outubro de 2015
###
são as estrelas de um céu vaidoso, que me encontro às vezes a contá-las, à noite, a cantá-las por através das nuvens. um brilho silencioso, passado meteórico, anjos em cores. um querer alado, pavão melancólico, alarido profético estampado no azul escuro de um céu infinito.
por elas, sou apenas olhares, sou paixão pelos seus ares, e nos meus olhos aos pares as trago.
encanto e serenidade.
entrego-me à cintilante presença de um tempo em que as horas já não são mais...
um sinuoso adeus.
encanto e serenidade.
entrego-me à cintilante presença de um tempo em que as horas já não são mais...
um sinuoso adeus.
o vaidoso céu é um oásis de ponta-cabeça,
invenção nostálgica a preencher os nossos dias de amanhãs
e depois?
invenção nostálgica a preencher os nossos dias de amanhãs
e depois?
marcelozorzeto
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
renascimento
desfrutar o mar
pomar de areias finas
fruta-estrela aos pés do homem
que também se encanta
deleito-me ainda no chumbo das horas
pomar de areias finas
fruta-estrela aos pés do homem
que também se encanta
deleito-me ainda no chumbo das horas
contemplar a dor
uma saudade cor azul-do-céu
são cavalos marinhos pelos campos naufrágios
corais e corações contemplados
entrelaçados na subida da maré
espanto-me na alegria jubilosa de pertencer e estar
uma saudade cor azul-do-céu
são cavalos marinhos pelos campos naufrágios
corais e corações contemplados
entrelaçados na subida da maré
espanto-me na alegria jubilosa de pertencer e estar
respeitar o ir
são as ondas que partem retirantes
e levam o gosto do sal da terra
para o deus do profundo chão
a minha pele é lava e cintilância
meu corpo-maresia adormece vago
repousa num sorriso estandarte
posso agora renascer no eterno do tempo.
são as ondas que partem retirantes
e levam o gosto do sal da terra
para o deus do profundo chão
a minha pele é lava e cintilância
meu corpo-maresia adormece vago
repousa num sorriso estandarte
posso agora renascer no eterno do tempo.
marcelozorzeto
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
a cidade dos meus botões
cidade acelerada
desencontrada
vizinhos invisíveis
amigos divisíveis
café, pastel e solidão
empatia em desatino
entre gente quase-gente
entre máquinas e almas
entre carros e fumaça
uma vida pra se ver
um ano pra se encontrar
corações ocupados
distraídos
de novidade fria e estéril
cidade-rua
muitas ruas
cidade-bar
muitos bares
bêbados na madrugada
em suas buscas incessantes pelo invisível
cidade-pressa
cidade-presa
cidade-pombo-de praça
lixo, milho e insanidade
cidade pluma
concreto e espuma
rios tão sólidos
como os rostos na lotação
cidade-prédio
cidade-céu-não-há
felicidade-um-feriado
assim eu sou
assim eu sigo
entre chagas e signos
saciedade em meus botões.
marcelozorzeto
desencontrada
vizinhos invisíveis
amigos divisíveis
café, pastel e solidão
empatia em desatino
entre gente quase-gente
entre máquinas e almas
entre carros e fumaça
uma vida pra se ver
um ano pra se encontrar
corações ocupados
distraídos
de novidade fria e estéril
cidade-rua
muitas ruas
cidade-bar
muitos bares
bêbados na madrugada
em suas buscas incessantes pelo invisível
cidade-pressa
cidade-presa
cidade-pombo-de praça
lixo, milho e insanidade
cidade pluma
concreto e espuma
rios tão sólidos
como os rostos na lotação
cidade-prédio
cidade-céu-não-há
felicidade-um-feriado
assim eu sou
assim eu sigo
entre chagas e signos
saciedade em meus botões.
marcelozorzeto
passagem
sinto do meu quarto o cheiro farto e ofegante que vem do fim da madrugada
que traz o futuro
que se rasga em presente
que nos livra da noite com os primeiros raios tímidos de sol
manhã sem sutileza, quase capital
a neblina insistente encobre com o cinza o que antes também já era cinza
um novo dia trazendo aquela mesma velha oração
enferrujada pelas horas
os olhos que contemplam o céu azul-chumbo
se enchem de esperança e se fecham finalmente
repouso minha fé e meu corpo
nas cinzas da noite que se foi
foram tempos difíceis eu sei.
marcelozorzeto
que traz o futuro
que se rasga em presente
que nos livra da noite com os primeiros raios tímidos de sol
manhã sem sutileza, quase capital
a neblina insistente encobre com o cinza o que antes também já era cinza
um novo dia trazendo aquela mesma velha oração
enferrujada pelas horas
os olhos que contemplam o céu azul-chumbo
se enchem de esperança e se fecham finalmente
repouso minha fé e meu corpo
nas cinzas da noite que se foi
foram tempos difíceis eu sei.
marcelozorzeto
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
se era
se era tanto que fosse mais
se era mau que fosse caos
se era pouco que fosse louco
se era paz que fosse cais
se era escuro que fosse um muro
se era bomba que fosse sombra
se era eu que fosse um breu
se era tanto que fosse caos
se era mau que fosse louco
se era pouco que fosse muro
se era paz que fosse cais
se era escuro que fosse sombra
se era bomba que fosse breu
se era eu que fosse mais
se era tanto que fosse muro
se era mau que fosse sombra
se era pouco que fosse breu
se era paz que fosse mais
se era escuro que fosse caos
se era bomba que fosse cais
se era eu que fosse louco
se era mau que fosse caos
se era pouco que fosse louco
se era paz que fosse cais
se era escuro que fosse um muro
se era bomba que fosse sombra
se era eu que fosse um breu
se era tanto que fosse caos
se era mau que fosse louco
se era pouco que fosse muro
se era paz que fosse cais
se era escuro que fosse sombra
se era bomba que fosse breu
se era eu que fosse mais
se era tanto que fosse muro
se era mau que fosse sombra
se era pouco que fosse breu
se era paz que fosse mais
se era escuro que fosse caos
se era bomba que fosse cais
se era eu que fosse louco
marcelozorzeto
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
encontrar é estar aberto ao(s) desconhecido(s)é como dar um passo no escuro
você sente o chão sair do lugar
um momento de suspensão
e de repente nos conectamos com uma nova e surpreendente parte de nós mesmos
o espaço entre o pé que flutua e o chão
é o tempo que dura o medo
um abismo imaginário
é um suspiro de ausência
que em segredo se desfaz
e nos torna mais potentes
viver é se atirar em pequenos abismo diários.
marcelozorzeto
Assinar:
Postagens (Atom)
