fazer teatro é morrer um dia a menos todos os dias
marcelozorzeto
Santificados sejam nossos ofensores, assim como nós magoamos a quem nos tem perdoado.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
retalhos da estação
palavras de açúcar
na língua o palato
saliva na boca
saúva no prato
ao sol de setembro
garapa de cana
engenho de verso
abelha rainha
castelo de nuvens
contente (manhã)
meus olhos desejam
os dentes cravados
em fruta mordida
completos sabores
em meio a sorrisos
nas presas palavras
singelos amores
sem culpa sem dores
marcelozorzeto
na língua o palato
saliva na boca
saúva no prato
ao sol de setembro
garapa de cana
engenho de verso
abelha rainha
castelo de nuvens
contente (manhã)
meus olhos desejam
os dentes cravados
em fruta mordida
completos sabores
em meio a sorrisos
nas presas palavras
singelos amores
sem culpa sem dores
marcelozorzeto
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
imagine o tempo
imagine o tempo sem a gente pessoas sem os rios sem o céu sem os pássaros imagine o tempo sem a dor saudade sem o sol sem a escuridão sem o paladar imagine ele o senhor tempo tempestade sem nossas vidas em suas mãos imagine o tempo úmido sozinho quase louco contando os segundos sob um guarda-chuva preto imagine o tempo já seco se perdendo entre as horas sem poder manipular o destino das coisas imagine o tempo passado fadado ao esquecimento dos dias dos meses dos anos décadas milênios imagine o tempo desaparecendo infinito sem morte sem deus sem mais mistérios.
marcelozorzeto
marcelozorzeto
terça-feira, 8 de setembro de 2015
desabafo sobre mim mesmo
palavras entre parênteses? de quantas você precisa?
reticências intermináveis, vírgulas desnecessárias
raspas de metáforas, conjunções enferrujadas
preposições despropositadas te servem exatamente para que?
não me venha com as nomenclaturas do seu balcão de ofertas.
o pior analfabeto é quem não entende o sentimento,
na exclamação de um sorriso sincero mora o sentido exato do mundo
mora o meu coração e o seu.
já os olhos, esses podem ser enciclopédias enquanto brilham.
marcelozorzeto
reticências intermináveis, vírgulas desnecessárias
raspas de metáforas, conjunções enferrujadas
preposições despropositadas te servem exatamente para que?
não me venha com as nomenclaturas do seu balcão de ofertas.
o pior analfabeto é quem não entende o sentimento,
na exclamação de um sorriso sincero mora o sentido exato do mundo
mora o meu coração e o seu.
já os olhos, esses podem ser enciclopédias enquanto brilham.
marcelozorzeto
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
tenho saudade
tenho saudade de gente bem simples
café na garrafa, passado na hora
biscoito maisena manteiga e pipoca
tenho saudade bom dia boa tarde
boa noite amizade e sentar na calçada
conversa tão boa em volta da mesa
tenho saudade da mãe preocupada
chamando pra janta cadeira de área
irmãos pra brincar jogar bola e pai
tenho saudade do cair da tarde
da rede esticada livros e varanda
gente engraçada alegria e sorriso
tenho saudade de olhar para a serra
andar lentamente calçada e cidade
molhar os meus pés na beirada de rio
tenho saudade de grilo e cigarra
escuridão ver estrela do cheiro de mato
vaga-lume sereno viola e canção
tenho saudade de cão vira-lata
cafuné no focinho lambuza de baba
rolar no gramado até a escuridão
tenho saudade correr no campinho
jogar pelas linhas de ser artilheiro
abraço apertado na hora do gol
tenho saudade de fruta no pé
fiapo nos dentes bigode de manga
correr marimbondo ferroada que dói
tenho saudade subir no telhado
madrugada escura estrelas milhares
desenhos com nuvens um sonhar que constrói
tenho saudade chuva de verão
roupa suja de barro bicicleta e ladeira
vento no meu rosto criança e quintal
tenho saudade de mim nisso tudo
vida pela frente de ter pés descalços
gramado jardim tramela janela chá quente roseira e jasmim coração.
marcelozorzeto
café na garrafa, passado na hora
biscoito maisena manteiga e pipoca
tenho saudade bom dia boa tarde
boa noite amizade e sentar na calçada
conversa tão boa em volta da mesa
tenho saudade da mãe preocupada
chamando pra janta cadeira de área
irmãos pra brincar jogar bola e pai
tenho saudade do cair da tarde
da rede esticada livros e varanda
gente engraçada alegria e sorriso
tenho saudade de olhar para a serra
andar lentamente calçada e cidade
molhar os meus pés na beirada de rio
tenho saudade de grilo e cigarra
escuridão ver estrela do cheiro de mato
vaga-lume sereno viola e canção
tenho saudade de cão vira-lata
cafuné no focinho lambuza de baba
rolar no gramado até a escuridão
tenho saudade correr no campinho
jogar pelas linhas de ser artilheiro
abraço apertado na hora do gol
tenho saudade de fruta no pé
fiapo nos dentes bigode de manga
correr marimbondo ferroada que dói
tenho saudade subir no telhado
madrugada escura estrelas milhares
desenhos com nuvens um sonhar que constrói
tenho saudade chuva de verão
roupa suja de barro bicicleta e ladeira
vento no meu rosto criança e quintal
tenho saudade de mim nisso tudo
vida pela frente de ter pés descalços
gramado jardim tramela janela chá quente roseira e jasmim coração.
marcelozorzeto
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
coração cão
no meu peito cão vagabundo
coração que vira e mexe me late
latente cão vasto mundo
potente zona de amor e combate
acuado pela raiva, rua dos fundos
bomba e sangue na avenida escarlate
um café bem forte, imensidão, chão imundo
tem sempre na vida a hora do cheque-mate
em meus olhos não permitirei o ódio fecundo
mesmo que o monstro de mim mesmo me arrebate.
marcelozorzeto
coração que vira e mexe me late
latente cão vasto mundo
potente zona de amor e combate
acuado pela raiva, rua dos fundos
bomba e sangue na avenida escarlate
um café bem forte, imensidão, chão imundo
tem sempre na vida a hora do cheque-mate
em meus olhos não permitirei o ódio fecundo
mesmo que o monstro de mim mesmo me arrebate.
marcelozorzeto
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Eta vida besta, meu Deus
hoje de manhã, enquanto lavava a louça da janta de ontem
pensava na vida, na morte e no medo
um passarinho que canta me distrai
o prato ensaboado escorrega das mãos
tento apanhá-lo
corte no dedo
sangue na pia
band-aid e mertiolate
"Eta vida besta, meu Deus. "
marcelozorzeto
pensava na vida, na morte e no medo
um passarinho que canta me distrai
o prato ensaboado escorrega das mãos
tento apanhá-lo
corte no dedo
sangue na pia
band-aid e mertiolate
"Eta vida besta, meu Deus. "
marcelozorzeto
arrepio
O que é um arrepio,
senão uma oração da pele no templo-corpo
território de toque
poros em erupção
pelos ouriçados em ereção
profanação do sagrado
no altar dos desejos
O que é um arrepio
senão o próprio coração
em ritmo de carnaval.
marcelozorzeto
senão uma oração da pele no templo-corpo
território de toque
poros em erupção
pelos ouriçados em ereção
profanação do sagrado
no altar dos desejos
O que é um arrepio
senão o próprio coração
em ritmo de carnaval.
marcelozorzeto
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
canção de Belchior
a minha tristeza é como uma canção do Belchior
um olhar lacrimoso a observar um avião
como medo que ele caia sobre a cabeça da nossa cidade
um olhar lacrimoso a observar um avião
como medo que ele caia sobre a cabeça da nossa cidade
marcelozorzeto
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
manifesto s
abaixo os lábios cinzentos de concreto e ódio...
e que toda palavra proferida saia com gosto de cafuné de mãe
e cheiro de bolinho de chuva com café passado na hora.
marcelozorzeto
e que toda palavra proferida saia com gosto de cafuné de mãe
e cheiro de bolinho de chuva com café passado na hora.
marcelozorzeto
terça-feira, 25 de agosto de 2015
breve cordel da reconciliação
ando calmo pelo avesso e respeitando meus tropeço...
quer tomar um café, prosear e matutar um recomeço?
te dou até meu telefone se quiser, ou quem sabe o endereço
mas calma lá também, pois meu coração não é feito de gesso!
marcelozorzeto
quer tomar um café, prosear e matutar um recomeço?
te dou até meu telefone se quiser, ou quem sabe o endereço
mas calma lá também, pois meu coração não é feito de gesso!
marcelozorzeto
sobre mares e partidas
há corações que partem e a gente emenda
há também os que partem e não voltam mais
numa selva de partidas, por favor, não se ofenda
pois dor e saudade devem permanecer no cais
há também os que partem e não voltam mais
numa selva de partidas, por favor, não se ofenda
pois dor e saudade devem permanecer no cais
para as embarcações, navegar é vital
nesse mar que bate e nunca cessa.
nesse mar que bate e nunca cessa.
marcelozorzeto
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
águas calmas
na mesma pele que sente esse frio de agora
é onde tenho passado minha vida inteira à flor
no amor que transpiro, me refresco
com os poros que transbordam rios lodosos inundando o coração
é onde tenho passado minha vida inteira à flor
no amor que transpiro, me refresco
com os poros que transbordam rios lodosos inundando o coração
o arrepio do toque da maré
o sal na língua molhada
o beijo roubado em Iemanjá
me parecem tão exatos quanto o porvir dos meus sentimentos
que não virão.
o sal na língua molhada
o beijo roubado em Iemanjá
me parecem tão exatos quanto o porvir dos meus sentimentos
que não virão.
marcelozorzeto
domingo, 16 de agosto de 2015
canção de domingo
esse canção é pra você que sai pela porta da frente e nunca mais volta
perde o endereço, esquece o ponto referencial
é uma canção reticente, um pouco de mim, sim, anda por demais bem carente
sem quase nenhum nutriente, quase um biscoito de água e sal
não tem refrão, nem estribilho e a melodia é bem cafona
e neste verso, como sem inspiração, pra rimar, enfio sem fazer sentido, uma canção da Madonna
(Wanting, needing, waiting
pois relembrar o encontro, o encontro que celebra a vida, faz chover na minha aorta
(meu coração hortaliça, tem cheiro verde e alho poró
e tempera minha vida, como se só existisse uma só)
dedico esses versos bregas de domingo
pra você que não sabe por aonde anda
mas se por acaso encontrar minha vó em algum bingo
diga que mando um beijo à dona Vanda
e se ainda por acaso um dia decidir fazer o caminho de volta
pois encontrou o mapa perdido da minha cidade
saiba que o abraço ainda vai sim, ser daqueles apertados, que nunca se solta
pois um dia fomos vizinhos de corpo, de alma e cumplicidade.
marcelozorzeto
perde o endereço, esquece o ponto referencial
é uma canção reticente, um pouco de mim, sim, anda por demais bem carente
sem quase nenhum nutriente, quase um biscoito de água e sal
não tem refrão, nem estribilho e a melodia é bem cafona
e neste verso, como sem inspiração, pra rimar, enfio sem fazer sentido, uma canção da Madonna
(Wanting, needing, waiting
For you to justify my love)
mas por mais que te pareça confusa e inapropriada, essa canção ainda não está mortapois relembrar o encontro, o encontro que celebra a vida, faz chover na minha aorta
(meu coração hortaliça, tem cheiro verde e alho poró
e tempera minha vida, como se só existisse uma só)
dedico esses versos bregas de domingo
pra você que não sabe por aonde anda
mas se por acaso encontrar minha vó em algum bingo
diga que mando um beijo à dona Vanda
e se ainda por acaso um dia decidir fazer o caminho de volta
pois encontrou o mapa perdido da minha cidade
saiba que o abraço ainda vai sim, ser daqueles apertados, que nunca se solta
pois um dia fomos vizinhos de corpo, de alma e cumplicidade.
marcelozorzeto
Diálogo em versos com Gisele Jota sobre um Brasil coxinha
Eu: A nossa moral é de-formação pura
vivemos um momento de fritura
coxinha de ditadura
queres a volta da farda hostil?
és uma criatura imbecil
Ela: Moral frequentemente dura
travestida de candura
elite adormecida (pura?)
jura que sentias falta do vil?
és brasileiro digno de covil
Eu: ai, essa candura gordurosa!
dessa gente duvidosa
eu quero estar bem distante
seja no pensamento que viaja
seja montado num elefante!
marcelozorzeto
vivemos um momento de fritura
coxinha de ditadura
queres a volta da farda hostil?
és uma criatura imbecil
Ela: Moral frequentemente dura
travestida de candura
elite adormecida (pura?)
jura que sentias falta do vil?
és brasileiro digno de covil
Eu: ai, essa candura gordurosa!
dessa gente duvidosa
eu quero estar bem distante
seja no pensamento que viaja
seja montado num elefante!
marcelozorzeto
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
escrevo na contra-mão do futuro
e me sinto como em meus versos
sou piegas, sou também casmurro
nas profundezas me acho imerso
e me sinto como em meus versos
sou piegas, sou também casmurro
nas profundezas me acho imerso
abro mão do meu passado
canto a lua e canto o sol
sou um caipira embasbacado
nesta cidade caracol
canto a lua e canto o sol
sou um caipira embasbacado
nesta cidade caracol
o verbo é meu presente
danço nu na minha tribo
nesse mundo a mim ausente
ser escravo eu não consigo
danço nu na minha tribo
nesse mundo a mim ausente
ser escravo eu não consigo
sobe o tempo devagar
como a ave voa longe
trago no peito meu amar
onde a cicatriz se esconde
como a ave voa longe
trago no peito meu amar
onde a cicatriz se esconde
andorinha em tempestade
relâmpago na montanha
chove forte na cidade
nunca tive pressa tamanha.
relâmpago na montanha
chove forte na cidade
nunca tive pressa tamanha.
marcelozorzeto
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