no meu peito cão vagabundo
coração que vira e mexe me late
latente cão vasto mundo
potente zona de amor e combate
acuado pela raiva, rua dos fundos
bomba e sangue na avenida escarlate
um café bem forte, imensidão, chão imundo
tem sempre na vida a hora do cheque-mate
em meus olhos não permitirei o ódio fecundo
mesmo que o monstro de mim mesmo me arrebate.
marcelozorzeto
Santificados sejam nossos ofensores, assim como nós magoamos a quem nos tem perdoado.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Eta vida besta, meu Deus
hoje de manhã, enquanto lavava a louça da janta de ontem
pensava na vida, na morte e no medo
um passarinho que canta me distrai
o prato ensaboado escorrega das mãos
tento apanhá-lo
corte no dedo
sangue na pia
band-aid e mertiolate
"Eta vida besta, meu Deus. "
marcelozorzeto
pensava na vida, na morte e no medo
um passarinho que canta me distrai
o prato ensaboado escorrega das mãos
tento apanhá-lo
corte no dedo
sangue na pia
band-aid e mertiolate
"Eta vida besta, meu Deus. "
marcelozorzeto
arrepio
O que é um arrepio,
senão uma oração da pele no templo-corpo
território de toque
poros em erupção
pelos ouriçados em ereção
profanação do sagrado
no altar dos desejos
O que é um arrepio
senão o próprio coração
em ritmo de carnaval.
marcelozorzeto
senão uma oração da pele no templo-corpo
território de toque
poros em erupção
pelos ouriçados em ereção
profanação do sagrado
no altar dos desejos
O que é um arrepio
senão o próprio coração
em ritmo de carnaval.
marcelozorzeto
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
canção de Belchior
a minha tristeza é como uma canção do Belchior
um olhar lacrimoso a observar um avião
como medo que ele caia sobre a cabeça da nossa cidade
um olhar lacrimoso a observar um avião
como medo que ele caia sobre a cabeça da nossa cidade
marcelozorzeto
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
manifesto s
abaixo os lábios cinzentos de concreto e ódio...
e que toda palavra proferida saia com gosto de cafuné de mãe
e cheiro de bolinho de chuva com café passado na hora.
marcelozorzeto
e que toda palavra proferida saia com gosto de cafuné de mãe
e cheiro de bolinho de chuva com café passado na hora.
marcelozorzeto
terça-feira, 25 de agosto de 2015
breve cordel da reconciliação
ando calmo pelo avesso e respeitando meus tropeço...
quer tomar um café, prosear e matutar um recomeço?
te dou até meu telefone se quiser, ou quem sabe o endereço
mas calma lá também, pois meu coração não é feito de gesso!
marcelozorzeto
quer tomar um café, prosear e matutar um recomeço?
te dou até meu telefone se quiser, ou quem sabe o endereço
mas calma lá também, pois meu coração não é feito de gesso!
marcelozorzeto
sobre mares e partidas
há corações que partem e a gente emenda
há também os que partem e não voltam mais
numa selva de partidas, por favor, não se ofenda
pois dor e saudade devem permanecer no cais
há também os que partem e não voltam mais
numa selva de partidas, por favor, não se ofenda
pois dor e saudade devem permanecer no cais
para as embarcações, navegar é vital
nesse mar que bate e nunca cessa.
nesse mar que bate e nunca cessa.
marcelozorzeto
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
águas calmas
na mesma pele que sente esse frio de agora
é onde tenho passado minha vida inteira à flor
no amor que transpiro, me refresco
com os poros que transbordam rios lodosos inundando o coração
é onde tenho passado minha vida inteira à flor
no amor que transpiro, me refresco
com os poros que transbordam rios lodosos inundando o coração
o arrepio do toque da maré
o sal na língua molhada
o beijo roubado em Iemanjá
me parecem tão exatos quanto o porvir dos meus sentimentos
que não virão.
o sal na língua molhada
o beijo roubado em Iemanjá
me parecem tão exatos quanto o porvir dos meus sentimentos
que não virão.
marcelozorzeto
domingo, 16 de agosto de 2015
canção de domingo
esse canção é pra você que sai pela porta da frente e nunca mais volta
perde o endereço, esquece o ponto referencial
é uma canção reticente, um pouco de mim, sim, anda por demais bem carente
sem quase nenhum nutriente, quase um biscoito de água e sal
não tem refrão, nem estribilho e a melodia é bem cafona
e neste verso, como sem inspiração, pra rimar, enfio sem fazer sentido, uma canção da Madonna
(Wanting, needing, waiting
pois relembrar o encontro, o encontro que celebra a vida, faz chover na minha aorta
(meu coração hortaliça, tem cheiro verde e alho poró
e tempera minha vida, como se só existisse uma só)
dedico esses versos bregas de domingo
pra você que não sabe por aonde anda
mas se por acaso encontrar minha vó em algum bingo
diga que mando um beijo à dona Vanda
e se ainda por acaso um dia decidir fazer o caminho de volta
pois encontrou o mapa perdido da minha cidade
saiba que o abraço ainda vai sim, ser daqueles apertados, que nunca se solta
pois um dia fomos vizinhos de corpo, de alma e cumplicidade.
marcelozorzeto
perde o endereço, esquece o ponto referencial
é uma canção reticente, um pouco de mim, sim, anda por demais bem carente
sem quase nenhum nutriente, quase um biscoito de água e sal
não tem refrão, nem estribilho e a melodia é bem cafona
e neste verso, como sem inspiração, pra rimar, enfio sem fazer sentido, uma canção da Madonna
(Wanting, needing, waiting
For you to justify my love)
mas por mais que te pareça confusa e inapropriada, essa canção ainda não está mortapois relembrar o encontro, o encontro que celebra a vida, faz chover na minha aorta
(meu coração hortaliça, tem cheiro verde e alho poró
e tempera minha vida, como se só existisse uma só)
dedico esses versos bregas de domingo
pra você que não sabe por aonde anda
mas se por acaso encontrar minha vó em algum bingo
diga que mando um beijo à dona Vanda
e se ainda por acaso um dia decidir fazer o caminho de volta
pois encontrou o mapa perdido da minha cidade
saiba que o abraço ainda vai sim, ser daqueles apertados, que nunca se solta
pois um dia fomos vizinhos de corpo, de alma e cumplicidade.
marcelozorzeto
Diálogo em versos com Gisele Jota sobre um Brasil coxinha
Eu: A nossa moral é de-formação pura
vivemos um momento de fritura
coxinha de ditadura
queres a volta da farda hostil?
és uma criatura imbecil
Ela: Moral frequentemente dura
travestida de candura
elite adormecida (pura?)
jura que sentias falta do vil?
és brasileiro digno de covil
Eu: ai, essa candura gordurosa!
dessa gente duvidosa
eu quero estar bem distante
seja no pensamento que viaja
seja montado num elefante!
marcelozorzeto
vivemos um momento de fritura
coxinha de ditadura
queres a volta da farda hostil?
és uma criatura imbecil
Ela: Moral frequentemente dura
travestida de candura
elite adormecida (pura?)
jura que sentias falta do vil?
és brasileiro digno de covil
Eu: ai, essa candura gordurosa!
dessa gente duvidosa
eu quero estar bem distante
seja no pensamento que viaja
seja montado num elefante!
marcelozorzeto
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
escrevo na contra-mão do futuro
e me sinto como em meus versos
sou piegas, sou também casmurro
nas profundezas me acho imerso
e me sinto como em meus versos
sou piegas, sou também casmurro
nas profundezas me acho imerso
abro mão do meu passado
canto a lua e canto o sol
sou um caipira embasbacado
nesta cidade caracol
canto a lua e canto o sol
sou um caipira embasbacado
nesta cidade caracol
o verbo é meu presente
danço nu na minha tribo
nesse mundo a mim ausente
ser escravo eu não consigo
danço nu na minha tribo
nesse mundo a mim ausente
ser escravo eu não consigo
sobe o tempo devagar
como a ave voa longe
trago no peito meu amar
onde a cicatriz se esconde
como a ave voa longe
trago no peito meu amar
onde a cicatriz se esconde
andorinha em tempestade
relâmpago na montanha
chove forte na cidade
nunca tive pressa tamanha.
relâmpago na montanha
chove forte na cidade
nunca tive pressa tamanha.
marcelozorzeto
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
sejamos da poesia ou da tentativa de.
meu precipício
o princípio do voo
me precipito
me precipita o chão
quedar-me
deixar-me cair
um copo
um corpo
cansado e torto
se desenha no espaço
azar desde o início
asas e o acaso
pausar o coração
(meu vício)
na dissonância do verbo
um olhar de estrelas
azul-escarlate
cinza-estranho e escuridão
o princípio do voo
me precipito
me precipita o chão
quedar-me
deixar-me cair
um copo
um corpo
cansado e torto
se desenha no espaço
azar desde o início
asas e o acaso
pausar o coração
(meu vício)
na dissonância do verbo
um olhar de estrelas
azul-escarlate
cinza-estranho e escuridão
marcelozorzeto
rotina
todos os dias o sol me amanhece em silêncio
(quando nubla é pra eu dormir até mais tarde)
depois me entardece em ruídos calados
num coerente carinho de quentura de abraço de mãe
(quando nubla é pra eu dormir até mais tarde)
depois me entardece em ruídos calados
num coerente carinho de quentura de abraço de mãe
depois vem a lua e me anoitece com todo cuidado
adormeço pra me madrugar de sonhos
pré amanheço de estrelas ainda ávidas
do orvalho e cheiro de café fresco e hortelã
adormeço pra me madrugar de sonhos
pré amanheço de estrelas ainda ávidas
do orvalho e cheiro de café fresco e hortelã
o meu tempo sou eu
o meu tempo sou eu e o céu
teimosia da vida
filho da árvore
a minha mãe natureza
sou eu natural do milagre do mundo.
o meu tempo sou eu e o céu
teimosia da vida
filho da árvore
a minha mãe natureza
sou eu natural do milagre do mundo.
marcelozorzeto
segunda-feira, 20 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
confesso que enlouqueço, que tropeço e que padeço, e que me faço de sonso sem nenhum adereço. que me canso de tudo e que me calço aos soluços, de sutilezas adornadas e sensações sem fins lucrativos nesse longo percurso. e que pra acertar o alvo em cheio, com sorte, sem errar nos meus anseios, ou perder o meu próprio norte, é preciso despencar sem medo, subir ao céu da morte, tocar a escuridão com os dedos, num profano e profundo corte, pra me fingir de forte até o dia do meu desenredo.
marcelozorzeto
marcelozorzeto
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