segunda-feira, 2 de junho de 2014

sem títuto no título

e essa raiva que me dá quando ouço ingenuidades absurdas
risos soltos, gargalhadas de ignorância
uma felicidade forçada
a alegria comprada na banca de jornal da praça da República
sonhos que se alimentam com migalhas de ilusão
que antes eram jogadas aos pombos

gente alegre com tudo ao seu redor
sons, cores, cheiros e chuva ácida
dentes amarelados, nicotinados de esperança vagamente rasa
rugas de preocupação disfarçadas com pó barato da 25

é preciso ser feliz por decreto! Alguém me disse
institucionalizar a sensação de dever cumprido
pra poder gritar no fim de um dia de conquistas mesquinhas
-EU VENCI!esfregado na cara do mundo
Com gosto de - EU MENTI!
e minto a todo o momento pra mim mesmo

é sempre um ótimo dia pra se ter um dia ruim
e eu só quero o privilégio do fracasso sem culpa
a risada escancarada dos defeitos meus
admitindo minha condição mortal 

quero ter a dúvida da crase
eternamente em crise
acreditando ou não na utopia da esperança
e poder vestir minhas roupas desgastadas
sem me importar com olhares tortos de gente torta
estou limpo de alma, e isso é tudo
se tudo fosse
mas não é!
digo isso com toda a certeza de quem sabe do amanhã

marcelozorzeto

sexta-feira, 11 de abril de 2014

noite em são paulo

o céu azul-anel
é minha espera...
h[era]nça
prata é noite
negros olhos
choram o amanhecer
E os dias dublados me cansam a visão
nublado é o coração.


marcelozorzeto

terça-feira, 25 de março de 2014

impressões

o grito opaco da atriz me pareceu claro como a luz da lua
a dança, a loucura, à luz do luar. pílulas da sanidade geral
o poder como parte da nossa odisseia absurda
somos todos parte desse mito. Misto de gente e alienígena
o fogo que nos consome e faz com que estejamos todos por um segundo do fim.
Kabloommm.

espaços coordenados pra serem vazios. O nada.
"e quantos nessa história já não fizeram isso? O nada?"
o Poder. O ponderável.
o homem sondando o inabalável.
Guerra é paz? A way of life.
Inspiração soturna de fumaça e carne.
enquanto alma envelopada nesse extrato de pele,
estou salvo. Salvo?
é sonho. é tudo sonho e só isso. só isso.
quando me vejo levitando no palco por entre espectros
consigo entender o fim da minha jornada.
"sou eu e eu também."
salve teatro brasileiro. salve esperança humana.
salve amores, salve poesia, salve artistas e seus úteros disponíveis a
gestação do inacabado.
do improvável.
do nosso ser/estar em cada centímetro de espaço alienado.
salve.

marcelozorzeto

terça-feira, 18 de março de 2014

canção de ninar para os nossos filhos mortos

durma filho meu
mas nunca durma tranquilo
pois lá vem a lei do cão
que arrasta e sangra contente
o corpo da gente no piche do chão

durma filho meu
mas com o olho arregalado
pois nossa carne vale nada
como se gente não fosse gente
só quando preta e favelada

durma filho meu
e talvez não acorde nunca mais
pois meu amor virou pesadelo
e te juro, não é por falta de zelo
que não te verei nunca mais.

marcelozorzeto

sexta-feira, 7 de março de 2014

especulação

ao olhar pro passado
e ver tanta beleza e alegria
sinto que finjo a nostalgia dos aflitos

ao perceber tal equívoco
desfaz-se o pensamento
e me apego à teoria

que memórias são fantasmas
fatos distorcidos lá no fundo dos olhos

a vida não existe...
a alma sim
(a lágrima é alma líquida de todos nós)

não fossem fotos, vídeos
e cicatrizes pelo corpo
todo verbo no passado
seria mera especulação.


marcelozorzeto

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ocupação

eu canto
enquanto meio
deslocado no espaço

eu espaço
enquanto meio canto
deslocado

eu meio
enquanto deslocado
no espaço canto

eu deslocado
enquanto espaço
canto meio

eu enquanto deslocado
eu espaço meio
eu canto
meio deslocado

marcelozorzeto

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

#‎amordefacebook‬

Ao ver seu coração tagueado
curtiu com um sorriso sem jeito
declarações de amor inbox
almas compartilhadas
‪#‎amordefacebook‬


marcelozorzeto

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Impaciente

Ando tão sem paciência
pras cores da esperança
pra dançar conforme a dança
pra tentar me manter são

ando tão sem paciência
pra esperar o fim do dia
pra quem é só alegria
de viver de ilusão

ando tão sem paciência
pra comer comida quente
pra morrer tão de repente
ao entrar na contramão

ando tão sem paciência
pra entender minha agonia
e esperar que a água fria
põe abaixo meu tesão

ando tão sem paciência
pra costurar o corte
pra tentar achar o norte
pra me encher de grão em grão

ando tão sem paciência
pra urgência
pra ciência
indulgências
penitências
e também religião

ando tão sem paciência
pra vida
pra morte
pro tédio
pro medo
coragem
e quem tem opinião

pra existência
aparência
coerência
reticências
...
pra achar a solução

ando tão sem paciên...
não.


marcelozorzeto

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sonhos

Noite passada, Deus veio até mim num sonho e disse: "Bicho, eu não tenho nada a ver com seu destino e felicidade, cada um cuida do seu. Se vira malandro." Ah, ele se parecia muito com o Raul Seixas.

domingo, 24 de novembro de 2013

amenidades

O que se acaba de repente, termina na pressa do tempo que se faz impiedoso, inquieto, ausente.
da sombra que fui ou que sou nada sobra e a beleza é só uma fantasia da idade que se vai - vaidade.

cada corpo que se despede leva também uma parte de mim, uma pitada de pele e duas de coração.
deve ser pra eu me encontrar no caminho de volta, que ficam os rastros, pois a saudade, por ventura, sempre vira cinzas. uma porção de "nãos" que insisto em colecionar, torna a despedida, mansidão, e a ausência, para quase todos, um favor quase sem igual.

marcelozorzeto

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

com a manada

pra que ficar procurando o caminho se todos já sabem a direção? olha esse amontoado de gente aí, correndo, quase se trombando, basta seguir o fluxo. pra que a dúvida? a dúvida corrompe, basta ter fé. pede que acontece... e ela, coitada, gastou muito tempo pensando no que deveria ser, quando na verdade já tinha sido fazia tempo. já veio ao mundo sendo, por imposição, mas aí então, já era!! disseram, as coisas são tão simples e ela vive problematizando cada porção de certeza, que besteira! rotularam-NA.
a solução tá aí, na cara de todos, estampada nos sorrisos cariados, nas capas de revistas, nos bares caros, no oprimir os mais fracos, e ela ali insistindo em olhar pelas entrelinhas. tentando analisar o contexto. pra quê isso? o invisível é invisível e ponto final, ninguém tá nem aí pra ele. ninguém tem tempo. ninguém tem saco para as coisas não rentáveis, e sem uma boa renda ninguém... né?

o ordinário mundo onde orbitamos... as ruas e seus carros, as lojas iluminadas, é trabalho, casa e fim de semana no shopping com as crianças, no parque com as crianças, sempre bem mal educadas por sinal. mas pra que insistir nisso? ela não ganha nada com isso. chata demais. Insanidade pura. E o lugar dos insanos é a margem. melhor parar agora, alguém sussurrou, isso pode ser o seu fim. pare agora antes que criem uma lei que...
marcelozorzeto

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sobre viver

Ninguém sabe nada
sobretudo
sobre viver
apenas sobrevivem
 
marcelozorzeto

versos

quero e sou teu verso
me escreva quando quiser,
sou tua tinta também,
me rabisca em papel de pão,
mesmo sem inspiração
me faz de rima,
ou mesmo de lima pra tuas arestas
me diz silaba por silaba,
entre dentes e língua
lábios, saliva as palavras inventadas na hora
me canta pro sol, me grita no meio da rua
solta o verbo aos berros
e inunda esse mundo da lua
mundo imundo de mim sem você
viaja comigo num poema qualquer
só nosso
nossa poesia de domingo no sofá da sala.

marcelozorzeto

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

impulso poético

Eu pensei em escrever um poema muito, mas muito bonito neste momento;
mas não me veio nada.
Minhas sinceras desculpas.


marcelozorzeto

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

encontros

Que todo o afeto não se dilua com o tempo (desejo). Mas se ele se diluir (vida), que os resíduos contaminem todos os corações e nos envenenem de vontade de nunca nos perdemos pelo caminho a sós. Que a arte nos una e nos transforme num só movimento. O movimento humano do encontro. A arte do encontrar-se. No outro e em nós mesmos.

marcelozorzeto

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Instinto de sobrevivência

Eu me afasto quando o mar tá bravo
quando o fogo é alto
quando não tenho ar

eu me afasto quando o tombo é grande
quando o rio é fundo
quando o leão tá solto
quando a altura é insuportável pra minha vertigem

Eu me afasto quando o aperto de mão é frouxo
quando não me olha nos olhos
quando o abraço é vazio e vago

Eu me afasto quando sinto que a vida pede outro rumo
o risco?
- Ah o risco!
viver já é arriscado pra cacete.
amar é o único risco que vale.

marcelozorzeto