terça-feira, 9 de julho de 2013

Relatos de quando a ficha começa a cair ou a tentativa frustrada de tentar sintetizar o coração


Uma bomba um bar uma oração um bobo
Frisson frisson free som frição
a memória que não se tem do ontem
o imemorável
saudades do amor
whisky/cerveja/leite – eu gosto de leite
perdeu a família, não foi culpa de quem? deus
adeus ao som de lágrimas - coreografia dos olhos vermelhos
espera - espera ---------- esperança
experienciar
foi-se quem tinha que ter ido
a mágica maleta mágica
gritos que aquecem xícaras de café/alma/garganta
decepção
amor/beijo/escuro - há esperança no amanhã
tudo é hoje antes do fim – antídoto fim
que fim? apocalipse - você acredita que o mundo vai acabar?
o tiro que não sai
o futuro? quem leu? Assume
engasga na garganta - Le parapluie
a diva no divã - divino
puta putinha
tapa na cara - dói em quem bateu
cacos de pudor pelo chão do palco - pau oco
fingir não satisfaz - vivo - vi e ver . . .ei de novo...
corre - corre - cor - quero
eu sei como são essas coisas - não sabe
o abraço forte no fim
a coxia da magia
vultos e silêncio
"I wanna shelter you"
o som do cigarro aceso me enternece
olhos que brilham
adeus? ah deus! não...
come as you are
fumaça  - esboço do fim
radiografia da arte -  ar, te amo...
sua - canta cantos - não desafina nem a pau (tinha medo)... choro (eu)
whisky is over
correr correr - coração - de
brincar de mulher - cola/dedo/unha/verdade
choro de novo
olhos pintados - lápis preto * cor de várias vidas
Brigitte? - mas ela ainda está viva!!! risos
o abraço em desequilíbrio
o nariz vermelho na corda bamba (frevo francês)
poesia poesia poesia - narizes barulhentos na plateia
o diretor que não dirige as lágrimas - épico
come together over us
1 2 3 4 5 e 6
agradece - agridoce - tempero nas têmporas do ator
doa dor
tempo de mudar
saldo de tudo
saudade e sal
nos olhos
amor incondicional
em condicional
adoro compartilhar o céu com gente que sabe voar...
bbeijoss.adocica.com

segunda-feira, 1 de julho de 2013

CRÔNICAS FRESCAS DA LIBERDADE (BAIRRO)

É ESCURO
É SOCO NO ESTÔMAGO
A LEI É O PODER NA RUA
O POVO QUE DORME INSONE
SE ESQUECE DE SONHAR
O HOMEM QUE APANHA E CHORA
FARDADOS QUE BATEM SEM PENA
UM CHUTE NO DOENTE IMAGINÁRIO E CAÍDO
O HOMEM CORRE, SEGUE A CENA
E OS MEUS OLHOS TEIMAM EM ASSISTIR
DESAPARECEM NA NOITE NUBLADA DA LIBERDADE
O SONHO SE TORNA PESADELO SIM SENHOR

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lombardiando

Eu: E há de chegar o momento em que entenderemos que a gramática é imprecisa e o verbo viver, conjugado na primeira pessoa, só pode ser usado no presente do indicativo.

Ele: O meu futuro do subjuntivo sempre teima em duvidar dessa verdade.

Eu: Cada um é sujeito de seu próprio verbo.

Ele: Ando prejudicado, sem predicado, nem verbo de ligação.

Eu: Faltam-me interjeições!

portas

As portas, mesmo imaginárias, quando abertas, devem ser fechadas!
Mas só as portas, não a imaginação!
 
marcelozorzeto

quarta-feira, 12 de junho de 2013

verbo

E há de chegar o momento em que entenderemos que a gramática é imprecisa e o verbo viver, conjugado na primeira pessoa, só pode ser usado no presente do indicativo.

salve poeta

Poesia é quando o poeta escreve algo absurdamente pessoal sobre si, mas quando a gente lê, a gente tem certeza absoluta que foi escrito pra gente.

sábado, 8 de junho de 2013

CORagem

e qual o problema se o real for menos plausível do que o abismo em que nos atiramos de cabeça? quando souber o momento da minha partida, prometo não dizer nada a ninguém, gosto de surpresas, são tão necessárias como um lugar pra chamar de seu. se haverá anjos a segurar minhas mãos, se a terra vai se abrir em chamas sob os meus pés incrédulos, não sei!

então vem enquanto é tempo, vamos aquecer nossas vozes e corações, celebrar o não celebrável
e cantar desafinado, fora do tom. são os olhos que brilham que nos fazem atravessar a ponte. o que nos espera do outro lado do rio não é importante, pois a água que passa sempre leva consigo um pedaço nosso no tempo.

no sonho de ontem a noite, havia um amontoado de gente, uma mulher morta, lindamente vestida de branco, de pele cinza e cabelos pretos, flutuava e ao atravessar a multidão e meu corpo, me tornou parte indivisível de sua história pra sempre. a partir de agora, vou caminhar sem medo, pois sou dois ou mais.

marcelozorzeto

quinta-feira, 23 de maio de 2013

anomalia

Se você flerta com a lua,
conversa com o sol,
sorri com o vento
e dança com a chuva,
não, você não está louco
apenas sofre de poesia aguda.

domingo, 19 de maio de 2013

dinheiro e arte

A arte de ganhar dinheiro pode fazer da arte mero capital, capitalizar os sentimentos, vender as ideias, os ideais. me dê alguns trocados e posso te emocionar, mais alguns trocados e finjo que choro. sinto a dor que deveras finjo. a tela em branco e mais um rei está nu, vejam que lindo sua roupa.

ator, bancário, motorista, bailarino, doutor esmerando-se pra ganhar o mercado, o super mercado.
mais um edital e minha vida se resolve. 
uma maçã mordida "hightech" e agora sou feliz. quando o dinheiro é meta e não consequência, o sentido se desfaz, disse uma voz na minha consciência.

por alguns minutos eu penso em desistir, talvez eu já tenha desistido. eu sempre estou errado mesmo.

marcelozorzeto

vívida

Da dádiva da dúvida
à dívida da vida
duvidando
dividindo
densamente
a total ausência da certeza

 


marcelozorzeto

sexta-feira, 26 de abril de 2013

líquido

sob a ponte, rio

sobre ela, choro
a lágrima que escorre e toca a corrente

a gravidade da ponte atravessa seu leito pelo meu rosto

salto
corro pelas águas
por léguas
o mar me espera
ser um só
meu mar
oceano
partícula
particular
ser líquido outra vez
choro
soro
vida em poros

marcelozorzeto

sábado, 20 de abril de 2013

de sempre em quando




De sempre em quando, quando te vejo diariamente
enquanto te beijo, me encanto
canto me com uma certa clareza que me anda ausente
a melodia guardada no tempo em que eu ainda não era
às vezes, faço as vezes de sentimentos abstratos, e me tranco em caixas
de sapatos, guardadas no fundo do armário
mas visto roupas de verão e me pego dançando no meio da rua de repente
não é todo dia
só de sempre em quando, quando te vejo diariamente.

marcelozorzeto

Mc dia feliz?


Hoje na rua, vi uma criança que pedia comida
Sentada à porta do Mcdonald’s
Eu sabia que havia alguma ironia na cena
Talvez uma piada de muito mal gosto
Uma espécie de Cantiga de escárnio social, quem sabe
1 big Mac + 1 coca + fritas
1 criança com fome
Mc lanche feliz?




marcelozorzeto

quarta-feira, 17 de abril de 2013

cidade sem graça


                                                                                                                             fonte: http://asorin.ru/index.php?l=

Eu me atrapalho tentando me acertar e olho pela janela de casa, busco alento, mas o céu é sempre vermelho, como se algo estranho estivesse para acontecer a cada momento corro pro travesseiro e choro por dentro as minhas lágrimas invisíveis são de pó e desespero a cidade dos amigos se foi, ficou há dias daqui neste canto desafinado a proporção de afeto é infinitamente menor vejo o amor diluído em baldes e mais baldes de pessoas que rastejam e tropeçam pelas ruas e que sequer verei duas vezes procuro a identidade perdida, como quem procura um parente perdido nas ruas de uma cidade estrangeira é um escândalo essa gente que passa sem graça por mim bom dia é quase insulto o concreto endurece as vistas e o coração sem falar da fumaça que apaga as estrelas, as montanhas e as minhas esperanças minha vida é agora um palco iluminado à luz de velas e o dourado do vestido já está mais que desbotado.

marcelozorzeto

segunda-feira, 8 de abril de 2013

deus-palavra

fonte desconhecida


A palavra pintada com a língua
Estampa o papel de vermelho
E escorre sonora e acrilicamente linhas a fio
A fogo

Respira o ar
Queima os alvéolos
Da caneta modesta, que menstrua em azul celeste
Assombro de significado
Toma de assalto os meus olhos!

Aborto da alma em frases avulsas
Abruptas
Um deus alfabeto de formas graficamente saborosas ou não.
Feto que nasce e não envelhece,
Cria coragem e desafia o intangível

Socorro imediato a minha ansiedade pueril
Bem nascida
Voa longe, atinge o coração como flecha
Mata aos poucos

Palavra que asfixia e comove
Me come do avesso e me cospe
Prato que se serve quente às vésperas do meu pensamento
Inimigo imediato com quem durmo e amanheço
Verbo insone
Infame
Ingrato
Mágoa e morte
Fé no invisível ser de letras

marcelozorzeto