quinta-feira, 7 de abril de 2011

a flor da morte

sempre que te encontro, me perco 
na roda viva do tempo 
que gira em minha direção

sentimento intangível
que corta fundo no peito, mas não sangra
e a carne exposta derramada sobre a pele
é como bálsamo em gotas de urgência

nas noites quentes com sol a pino
um suor frio de pernas comovidas me congela 

sempre que me perco, basta que eu te encontre
perdida na esquina, minha fiel cafetina 
e sigo na direção da sua eterna canção
cantando o refrão do seu corpo, 
que quase já sei de cor

labirinto viciado que alicia os meus desejos
sexo que corta a minha boca em fatias largas
sangue quente a jorrar nos teus seios mórbidos

fecunda em ti meu verdadeiro ser ainda adoecido
pois tenho a certeza de serpente encurralada 
que envenena e mata
mas não perde a razão.

marcelozorzeto

Um comentário:

Camila disse...

Gostei da escolha da foto!
:*