quinta-feira, 21 de abril de 2011

Adeus dará



















a cada minuto que passa
sinto-me menos só
menos sol
menos ar
menos são
e o tempo me escorrega pelas mãos
a água que fica no fundo da poça sempre seca
sem nenhuma dúvida

sou exatamente aquilo que acho que não sou
e negaria tudo se fosse capaz
deito-me lentamente para não sentir esse enjoo que finjo não sentir
os meus pés descalços tocam o chão quente da estação
ao longe, pássaros cantam e a nuvem branca, engraçada brinca de desenhar no céu
a minha vida inteira passa num piscar de olhos

sei que quando estiver próximo de estar completo, partirei
nós humanos sempre partimos quando estamos próximos do completo
mas nem todos, nem sempre, quase nunca
as pessoas nascem
crescem
aparecem nas nossas vidas
e depois partem
aí deixam uma saudade (algumas).


marcelozorzeto

2 comentários:

Anônimo disse...

Será que eu morri? Porque mesmo quando eu não parto eu digo adeus. A Deus. Adeus palavra que já não sei mais se fica melhor assim dita - pelo não dito.

Marcelo Zorzeto disse...

Dizer por dizer é o mesmo que estar morto e não perceber. Obrigado pelo comentário no blog Sr Anônimo.