terça-feira, 12 de abril de 2016

cuidado com o cão

a palavra que nos fere sai da nossa própria boca 
verbo-projétil perdido no espaço procurando um alvo
a palavra que nos mata, é ego de certeza lasciva
um ser esférico atento em ódio por lados desiguais
a palavra que enterra, é hipócrita, crisálidas dóceis
sobre o vermelho viscoso que coagula nas artérias de deus
a palavra redenção nasce e morre em prantos de uma poesia anoréxica
nesse insalubre ar que eu respiro, e que em raro espanto extingue-se bem diante da minha miséria
sou eu mesmo o meu melhor antipoema.

marcelozorzeto

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