quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Poema de depois da meia-noite

Sinto na pele o amor e o ódio violento dos dias sem graça, mais amor às vezes, e talvez ódio embrulhado para pronta entrega. A sede de viver aliada ao cansaço me faz em mil pedaços. Jogo os cacos debaixo do tapete, e esqueço os motivos da dúvida quando também não esqueço os motivos do esquecimento.

Sou leve aos olhos alheios e indelével às avessas também, pronto para voar quando ganhar as asas certas ao tamanho do meu voo. Plano sobre meus planos e me vou em círculos, sem chegar ao mar que busco em sonho, insone. Do outro lado da rua sempre tem mais sombra, e os carros passam acidentalmente sem parar.

A noite chega
as luzes acendem
a lua ascende
e o sol apaga os sorrisos ingênuos das crianças sem esmola que brincavam no sinal.

Dança para mim uma canção que me faça lembrar do agora em diante e descer aos céus mais afim de brincar do que vagar entre nuvens de algodão.

Preso a minha própria indecisão do ser ou não criança, abdico da minha alma, espírito e de uns trocados que tenho no bolso, mas não abro mão dessa sede absurdamente abrupta, que todo mundo me diz ser em vão.

marcelozorzeto

Um comentário:

Ricardo Lacerda Zaccharias disse...

Belo texto.
Os meus dias às vezes são assim, em que eu vivo constantemente dopado com a realidade e fantasiando com o que há de vir. Apenas rezo pra que não esqueça de sonhar.