quarta-feira, 9 de agosto de 2017

penso num verso que se esconde aqui, dentro de mim

Penso num verso que se esconde aqui, no profundo de mim
qualquer um, qualquer verso ou insanidade em forma de...
verso que insiste e persiste em esgueirar-se 
para não ser visto, não ser encontrado, não fazer sentido
um verso calado um verso moído como carne
que me aperta as vísceras e me faz o estômago naufragar em ácido gástrico.

Percebe minhas palavras já todas viciadas em silêncio, 
vestidas para a antifesta de suas próprias vidas, escondidas com a roupa do medo? 
Não...

Desde então, num movimento anacrônico, um verbo se rebela, e aflito, grita!
quer ser único
quer ser raro
mas no inverso
é tão raso quanto eu sou.

Nenhuma palavra sã quer ser mote pro meu açoite
e todas fogem do meu pensar de carrasco,
mas nada que não se queira ouvir será desdito
nada que não se queira dizer será calado.

Meus pulmões, prestes a explodir, se enchem com todas as letras mesquinhas e fonemas canalhas
pulmões cheios, estufados com palavras de aqui de dentro do meu mundo irreal.

Porém o silêncio é um grito que no reverso se desfaz
o silêncio daquilo que não quer ser dito
o silêncio dos problemas sem solução
o silêncio, essa fratura imposta ao pé do ouvido
o silêncio que me trai constantemente
o silêncio é a vida e a morte da própria razão.

marcelozorzeto

Nenhum comentário: