sexta-feira, 18 de agosto de 2017

boca do lobo

o sol cinza-chumbo-chuva-ácida. o céu concreto spray-azul-metálico na alameda. chovem ratos pelo asfalto preto, nascer asfalto, crescer rua, morrer rato. a marquise suja e úmida abriga a gente que dorme no chão, de barriga vazia e garrafa quase sempre cheia na mão. e há sempre uma criança correndo feliz pela enxurrada. brincando na boca-do-lobo, transitando entre os becos. os botes são dados e quando menos se espera o mundo te devora e cospe de volta.

marcelozorzeto

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