Moro num reino tão cheio de gente. tão cheio de lixo - sou bicho
tem gente no lixo. e lixo na gente - enchente
concreto armado, arame farpado no muro - perjuro
e armada é a cama pro corpo que morre no chão da calçada - velada
coberto de caixas de papelão - sou cão
abundante é a oferta de pão dormido - futuro
"fudido"
a miséria é armada no vão do concreto - excreto
e o lixo é o banquete no banco da praça - desgraça
país-ficção fricção social no coreto - meu reto
a igreja condena. a justiça, gangrena. o estado é laico e crônico - irônico
a carne rachada na sola do pé - tem verme do bucho, sarjeta é luxo no nicho da fé.
e a gente invisível na fome da praça se abraça velando o defunto - no agora
pois o tempo não infere se é dia,
se é tarde,
ou se é noite - aurora.
marcelozorzeto
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