sexta-feira, 9 de outubro de 2015

a cidade dos meus botões

cidade acelerada
desencontrada
vizinhos invisíveis
amigos divisíveis
café, pastel e solidão

empatia em desatino
entre gente quase-gente
entre máquinas e almas
entre carros e fumaça

uma vida pra se ver
um ano pra se encontrar
corações ocupados
distraídos
de novidade fria e estéril

cidade-rua
muitas ruas
cidade-bar
muitos bares
bêbados na madrugada
em suas buscas incessantes pelo  invisível

cidade-pressa
cidade-presa
cidade-pombo-de praça
lixo, milho e insanidade

cidade pluma
concreto e espuma
rios tão sólidos
como os rostos na lotação

cidade-prédio
cidade-céu-não-há
felicidade-um-feriado
assim eu sou
assim eu sigo
entre chagas e signos
saciedade em meus botões.

marcelozorzeto

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