quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Impressões de um dia de tarde

Ao fechar os olhos e me deixar conduzir por um desconhecido rumo ao desconhecido
me bate uma sensação conhecida, a sensação nítida de estar vivo. Conhecida, porém não muito acessada.

A tensão ao dar um salto no escuro te coloca em estado de alerta imediato. O risco é iminente. A vida também. O teatro também. Aliás a vida é teatro e vice-versa não nessa mesma ordem. A arte é vida. E o risco é o estopim pra todas as coisas não cotidianas.

O que nós queremos é comodidade, queremos conforto, queremos segurança. Todos se matam e se odeiam por esses três pilares de nossa atual sociedade. As pessoas se fecham em suas casas de muros altos pra não correrem risco. Mas não correr risco é estar morto. Apenas aqueles dentro de caixões estão fora de perigo. E se fechar em muros altos é uma espécie de morte.

E ao estar em risco, ao estar em estado de tensão, eu me coloco em escuta da vida. Das coisas mais simples. Do som dos pássaros. Dos Silêncios ao meu redor e em mim mesmo. Os sons do meu corpo, dos meus órgãos, do meu sangue que corre em mim  e consequentemente, no outro.

Assim como ver, olhar e reparar são coisas distintas, ouvir, escutar e perceber também os são. Não há relação verdadeira sem perceber os sons que saem do corpo alheio, não só da boca, mas do peito, das costas, dos olhos, dos pés.

Estar inteiro é uma espécie de estado de antena parabólica, que capta as ondas que vem dos que se relacionam contigo, seja no palco, seja na vida. Estar inteiro é uma questão de estar presente. Pois a vida só acontece no presente.

marcelozorzeto

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