sábado, 11 de agosto de 2012

cicatrizando

sem querer e sem pedir me vieram as palavras
palavras sem sal, sem tempero
palavras sempre mal passadas
que chovem aos berros
que gritam loucamente em suaves murmúrios
entre sorrisos tortos

palavras que saltam ao meu redor
brincam numa ciranda alucinante
com todas as letras de mãos dadas

as ideias me escapam
quero fazer delas pessoas de carne e osso
como misturar então dor e saudade e a boca amarga de café?

e tudo que tenho é um poema barato
sujo
desonesto
de sabor indigesto
que não consigo engolir nem a pau

palavras de carne também sangram
e sempre é difícil estancar a nossa insensatez
nos resta a cicatriz mal feita, mal costurada
a qual temos vergonha de expor em dias de sol

marcelozorzeto

Um comentário:

Fabio Lombardi disse...

Ela sempre vem. Sem sal, sem açúcar e na maioria das vezes sem afeto. Palavras sim são más. Por aqui a palavra nao chove. É a seca da alma, uma gota por vez.