terça-feira, 17 de maio de 2011

nós todos

a gente corre
a gente luta
a gente chora

a gente chuta o balde
tantas vezes vazio
da água do rio que também corre
mas não volta mais

a gente geme
a gente sofre
a gente mente
a gente come o pão que o diabo amassou
com manteiga ou não
engole seco
goela abaixo
sem tempo para o perdão

a gente odeia
a gente ama
a gente mama
a gente foge da raia
e no final se abraça
num sorriso sem graça
em um dia qualquer de verão

a gente dorme
a gente mia
a gente explode
a gente espia pelo buraco da fechadura
e vê na TV
o monstro que devora a criança na rua, faminta e nua

a gente some
a gente soma
a gente suga
entra em coma e acha que está tudo bem
mas não está

a gente planta
a gente colhe
a gente janta
a gente tolhe os nossos sonhos
esse moinho de vento a triturar
as tardes  de verão com cheiro de fritura

a gente só quer ser feliz
só quer ser feliz
só quer ser
é o que se diz
feliz.

marcelozorzeto

4 comentários:

Camila disse...

... e a gente não desiste! Pelo menos não deveria.

Fabio Lombardi disse...

A gente, como nesse dia qualquer de um verão que nao é meu, realmente só quer ser. Ser o que já nao se pode mais. Ser o que talvez, possibilidade infinita, nos resta ser: uma prOjeção de um sonho que nos custa sonhar na noite insone. De um verão que não é meu.

Marcelo Zorzeto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Zorzeto disse...

Salve, salve gde poeta comentárista poeta. é sempre um prazer tê-lo por aqui.
Bjo no coração.