sexta-feira, 30 de setembro de 2016

idades

sou caule e sou fruto, sou folha e também raiz. ao chegar o outono, uma parte de mim despenca suave como a morte tem que ser; mas é tempo de flores e eu as entrego à primavera como promessa de um breve renascimento. brinco, sou galhos entre os ventos e germino discreto entre o orvalho fresco de cada manhã. passo entre estações e trago guardado comigo, ainda entre dentes e dedos, toda terra que um dia à luz me trouxe. sou deus-mãe do que sou e sei, e guardião dessa verdade insana que é minha própria finitude. por isso tenho aprendido a prezar o tempo. respeito o passado do tempo. na floresta dos meus dias, chove torrencialmente. e as nuvens são como os olhos, que transbordam só pelo prazer de molhar o chão e assistir à semente se tornar vida.

marcelozorzeto

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