cuidado, todo poema é uma carta de autodestruição
abre-se demais as portas da casa, escancara-se ao verbo
vulnerabilidade da carne, dos ossos, do peito
em demasia desprotege-se, vira alvo fácil
todo poeta é um suicida-social
escrita sobrevida, deixa-se morrer
revela-se, cai do céu
todo poema rompe um pacto
onde a verdade não é permitida
e atirar-se da janela é muito, muito provável
todo poema é um arranha-céu de onde me atiro
o corpo que cai é de verdade (a única verdade)
é poesia em forma de vento.
marcelozorzeto
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