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Eu me atrapalho tentando me acertar e olho pela
janela de casa, busco alento, mas o céu é sempre vermelho, como se algo
estranho estivesse para acontecer a cada momento corro pro travesseiro e choro
por dentro as minhas lágrimas invisíveis são de pó e desespero a cidade dos
amigos se foi, ficou há dias daqui neste canto desafinado a proporção de afeto
é infinitamente menor vejo o amor diluído em baldes e mais baldes de pessoas que
rastejam e tropeçam pelas ruas e que sequer verei duas vezes procuro a
identidade perdida, como quem procura um parente perdido nas ruas de uma cidade
estrangeira é um escândalo essa gente que passa sem graça por mim bom dia é quase
insulto o concreto endurece as vistas e o coração sem falar da fumaça que apaga
as estrelas, as montanhas e as minhas esperanças minha vida é agora um palco
iluminado à luz de velas e o dourado do vestido já está mais que desbotado.
marcelozorzeto
marcelozorzeto
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