quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

morte do tempo

não concordo com o mundo que me ignora
discordo do tempo, meu inimigo íntimo
espero a morte de braços abertos

nasci do avesso
não sou artista, anarquista, adventista
sou apenas átomo e éter

a verdade me incomoda muito mais do que a ausência dela mesma
plural e singular
denominador em comum
incomum ser

ser é raro
é muito mais caro ter
custa-me o tempo
custa-me o mundo
custa-me a dor
mas a morte não

a morte é o fiado que nunca pagamos
é crédito vitalício em silêncio e escuridão
o supra-sumo do nada
o azul pintado pra não durar mais que o necessário

há muita tristeza na alegria dos ignorantes
vou ignorar a verdade
venero a indubitável dúvida
sou feito inteiro de partes do nada
do absoluto nada

marcelozorzeto

2 comentários:

Camila disse...

Há muita tristeza em todas as alegrias. Só não vale esquecer que tudo é em vão, só não o sorriso sincero e o coração aberto. O tempo fica curto demais quando a vida começa a fazer sentido, mas por outro lado, vale muito mais... mesmo assim.

Marcelo Zorzeto disse...

A vida vale sempre. Ela vale um segundo, aquele em que estamos.