Não existe evento mais misterioso e contraditório do que o encerramento das atividades da máquina humana. Subitamente o que era transtorno se transforma em alegria. O apito de final de expediente soa, às vezes, antes que menos se espere. Todas as luzes se apagam, o caminho de volta pra casa se dá sem nenhum transtorno. Não há trânsito, enchente, nem meninos pelos sinais. O dinheiro do salário que cai na conta vermelha de sangue cobre todas as despesas e com sobra.
A máquina humana de fabricar vida, já cansada ou não, se deteriora a cada manhã de sol ou nublada. Enferruja aos poucos à medida que seu fluido perde a viscosidade e deixa a carne com sabor de caos. A embalagem de devolução não custa muito mais do que aquilo que é peculiar ao produto, não importando a procedência, origem ou berço. As disfunções marcadas pela vida útil um pouco já ultrapassada são a prova exata de que nada dura, e que qualquer tentativa inútil de se tornar uma máquina melhor que as outras é a mais pura ilusão.
marcelozorzeto
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